
Deus e o Dinheiro
Mais quatro domingos e completamos nosso Retiro Quaresmal, porém, neste mês de março, somos convidados a refletir sobre o homem que não economizou sofrimento para nos resgatar para Deus. Aquele menino que, há cerca de 90 dias esperávamos para nascer em nossos corações, agora se tornou homem e chama-nos à conversão; ensina-nos a cultivar a reconciliação para resgatarmos a alegria e o diálogo e, mais, para que possamos colocar em prática o amor e a misericórdia do Deus que habita em cada um de nós para que, finalmente, possamos entrar, com Ele, triunfantes em Jerusalém. Mas não podemos participar desta Entrada Triunfante se não fizermos opção fundamental pelas coisas de Deus.
É nesse sentido que a CF2010 vem nos alertar fazendo se valer da máxima de Mateus: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro...” Aliás, em relação à esse pragmatismo financeiro, apesar de à época de Jesus ser uma realidade de seu tempo, podemos afirmar que tal prática tornou-se uma constante em nossas vidas como consequência do legado que nos foi passado, fundamentado no pensamento Neo-Liberal e Capitalista do século anterior, onde o dinheiro ganhou dimensões assustadoras, a ponto de colocar a humanidade e a integridade do ser humano em segundo plano, ou seja, o dinheiro tornou-se mais importante do que qualquer ser na face da terra.
E, por que somente agora, dois mil e dez anos depois, é que a Igreja assume uma postura em relação à Economia, fazendo se valer daquela máxima de Mateus? Justamente, dez anos após o cristianismo ter inaugurado o Terceiro Milênio, é que se percebe que o homem não está livre, pois as amarras, os elos e os grilhões do egoísmo, que o tornam cada vez mais ganancioso e ambicioso e que o fazem mais escravo do que nunca, fazem com que Jesus percorra novamente o caminho da Cruz para que sua Glória supere todas as práticas econômicas que visem fazer do homem um objeto da história.
Sabemos, depois de dois milênios de cristianismo, das dificuldades que se nos apresentam no cotidiano, para que venhamos a percorrer os caminhos de Deus. Os caminhos de Deus são muito exigentes, estreitos, espinhosos, esburacados e difíceis, mas não impossível de serem percorridos. Para percorrê-lo é preciso muito Amor e Justiça, o que não é para qualquer um. Amor e Justiça exigem desapego total. Somente os desapegados amam e são fiéis e desejam a Justiça. Infelizmente, o cristianismo ainda não alcançou, depois de dois mil anos, número suficiente de desapegados e, assim, podemos ver que, em relação ao Dinheiro, o escore do jogo da vida está deixando Deus em desvantagem, porque os caminhos do Dinheiro são largos e bem pavimentados e, por isso, fáceis de serem escolhidos, trilhados, percorridos.
Afinal de contas, somos obrigados a conviver, de forma vergonhosa, numa sociedade em que pessoas que governam se vendem e se corrompem a ponto de esconder dinheiro em malas, sacolas, pastas, meias e em cuecas; uma sociedade onde se utilizam todos os meios inescrupulosos para se emitir notas falsas, mentirosas, ilícitas e com valores alterados para se ludibriar orçamentos. Quais problemas se acarretam em consequência dos desvios de verbas da Saúde, da Educação, dos Transportes, das Obras etc.? São inúmeros.
Entretanto, a grande massa já está acostumada com tudo isso. A bem da verdade os caminhos do Dinheiro virou uma questão cultural. Possivelmente, em alguns anos pela frente, essas formas de mentiras possam vir se tornar realidades culturais. Assim são os caminhos do Dinheiro: fáceis de serem percorridos; não são exigentes; largos, espaçosos e “limpos” e atrativos. Pensemos melhor. Pensemos um pouco mais nestes domingos quaresmais do mês de março. Quanta coisa boa Deus nos oferece! É claro que os caminhos de Deus passam pela Cruz, mas como cristãos não devemos servir a Deus e ao Dinheiro, pois, com certeza, “amaremos a um e odiaremos o outro.”.
Diácono Miguel A. Teodoro

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