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Homilias : Domingo 3º de janeiro de 2010: EPIFANIA DO SENHOR
Enviado por Prof. Diácono Miguel A. Teodoro em 29/12/2009 16:45:28 (1193 leituras) Notícias do mesmo autor
Homilias

A exemplo dos magos, guiados pela Estrela de Belém, caminhamos ao encontro do Salvador da humanidade e, nesse sentido, podemos perceber que a Páscoa de Cristo se manifesta como luz que ilumina os homens e as mulheres ansiosos pela paz que vem de Deus e desejosos da unidade e da paz tão necessarias para a construção de um mundo melhor para todos.

Domingo 3º de janeiro de 2010: EPIFANIA DO SENHOR

Cor Litúrgica: Branca
1ª Leitura: Isaías 60, 1-6
Salmo: 71(72)
2ª Leitura: Efésios 3, 2-3. 5-6)
Evangelho: Mateus 2, 1-12

Evangelho: Mateus 2, 1-12
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judéia, pois assim foi escrito pelo profeta: 'E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor estre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que será o pastor de Israel, o meu povo'”. Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofeceram presentes: ouro,. Incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

Palavra da Salvação

Comentário:

De acordo com essa perícope de Mateus (2, 1-12) podemos perceber que as narrativas sobre a infância de Jesus não são biográficas. Elas nasceram da reflexão das primeiras comunidades cristãs, que procuravam compreender todo o significado da vida e da ação de Jesus. É o caso desta passagem.

Mateus se serviu da reflexão das primeiras comunidades para mostrar que Jesus é o verdadeiro rei do povo de Deus. Por quê? Mateus m ostra que a vinda de Jesus é ameaça para uns e salvação para muitos. As autoridades poderosas se sentem ameaçadas, como Herodes; mas o povo, tanto da Palestina, como dos países estrangeiros, se alegra com Jesus, vendo nele o rei justo e salvador.

Deste modo, podemos perguntar: Na verdade, Jesus é ameaça para quem?

Vejamos: O nascimento de Jesus em Belém foi anunciado por uma estrel no distante Oriente, e alguns magos, vendo a estrela, vieram a Jerusalém à sua procura: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus?”

Percebam que Belém era a cidade onde havido nascido Davi, o rei justo. Há mil anos o povo esperava que um descendente de Davi, justo como ele, viesse para libertar o povo dos inimigos e para levá-lo a viver segundo a justiça e o direito. A estrela, segundo osmorientais, aparecia quando uma personagem importante nascia: “Um astro nascido de Jacó se torna chefe; um cetro se levanta, saindo de Israel” (Livreo dos Números 24, 17).

Os magos chegam a Jerusalém, centro do poder político, econômico e ideológico-religioso da Palestina. E aí reina Herodes. Ele não é um rei legítimo dos judeus, pos era estrangeiro, ligado ao poder romano. Tratava-se de um usurpador, uma espécie de testa-de-ferro a serviço dos próprios interesses e dos interesses do dominador maior, que mentia e enganava, que reduzia o povo à miséria e escravidão.

Interessante é o fato de que a estrela não é visível em Jerusalém. Por que será?

Herodes fica com medo, e Mateus diz que “toda a cidade de Jerusalém” também. Será que se trata do povo? Não. O povo sabe que uma autoridade justa só lhe trará uma vida melhor. “Toda Jerusalém” certamente significa todos aqueles que estavam do lado de Herodes – seus ministros e assessores, que o ajudavam a mentir, enganar, explorar e oprimir o povo. Jesus, o rei esperado, era uma ameaça para seus privilégios e mordomias. Daí o medo. Os injustos nunca tem paz.

Vemos que Herodes consulta seus principais assessores, os sumos sacerdotres e os doutores da lei. Por quê?
Porque os sumos sacerdotes pertenciam à classe mais rica da sociedade. Dominavam a religião, através da qual mantinham o povo submisso. Os doutores da lei, ou escribas, eram os intelectuais donos do saber, aqui também a serviço dos poderosos. Estes, com o conhecimento da Bíblia (A.T.), certificam a Herodes que o Rei-Messias filho de Davi iria nascer em Belém. É que essa pequena cidade, de fato a periferia distante da capital Jerusalém, iria se tornar importante, porque dela sairia um chefe que se tornaria pastor do povo de Deus. Notícia perturbadora. O centro do poder (Jerusalém) se sente ameaçado pela periferia mais insignificante (Belém).

Devemos notar que os poderosos sabem muito bem do que o povo precisa, e de onde virá a salvação. Mas, o que fazem?

O poderoso Herodes é falso, mentiroso e enganador. Chama secretamente os magos e lhes confia a notícia. Sua intenção, porém, é acabar com toda aquela história, e matar Jesus. Para isso, quer cooptar os magos e os colocar a serviço dos seu perverso plano. Um dos maiores perigos é deixar-se iludir pelos poderosos. Eles compram tudo.

Também podemos perguntar: Jesus é salvação para quem?

Vejam vocês: Se alguns ficam apavorados com Jesus e fazem de tudo para “apagá-lo” da história, outros se alegram porque vêem nele o ressurgir da sua esperança de liberdade e vida. Essa esperança renasce toda vez que a justiça triunfa sobre a injustiça, e sempre que a liberdade e a vida triunfam sobre a escravidão e a morte. Nem que seja por um momento. O relâmpago momentâneo ilumina a noite inteira, e a lembrança é inesquecível para sempre.

Sabemos que os magos vieram de longe representando todos os povos que esperavam ardentemente pelo rei justo, pelo governante que os libertaria dos inimigos e os ensinaria a viver na justiça e no direito. Embora distantes da religião do povo de Deus, eles sabem distinguir os sinais que apontam a sua chegada: a estrela. Nela está a indicação de que precisamos ficar atentos parfa os sinais que aparecem na história e na sociedade, apontando para aquele que fará justiça e levará o povo a uma vida melhor.

Diante do exposto, podemos afirmar que Jesus é o Rei Justo. Por quê? Vejamos:

O encontro dos magos com Jesus é muito significativo. Jesus está com sua mãe, um modo de Israel representar o rei. A homenagem que lhe prestam representa a sua submissão. Os presentes que lhe dão mostram a submissão a um rei (ouro), o reconhecimento de que esse rei é divino (incenso) e, por outro lado, de que esse rei é morto (a mirra era usada no sepultamento).

Em outras palavras, Jesus é o rei justo que será morto pelos inimigos e depois, ressuscitado por Deus, será reconhecido por todos como divino Filho de Deus. Um anúncio do destino de Jesus.

De outro modo, lendo o salmo 71 (72, em algumas Bíblias), veremos que todos esperavam o rei justo, que faria justiça ao povo oprimido e marginalizado, contra seus opressores. Por isso os reis de outras nações viriam trazer-lhe as suas riquezas. Por quê? Porque esse rei justo iria de fato distribuir essas riquezas para o povo que tinha trabalhado por elas e que até agora fora roubado e não pudera usufruí-las.

Se relermos o salmo à luz do texto de Mateus, entenderemos que o evangelista pretende dizer que em Jesus apareceu finalmente esse rei, o governante justo. Isso, porém, dará lugar a um grande conflito, pois muitos o querem, e alguns o destestam. Por que a luta entre muitos e alguns se torna tão violenta?

Para refletir:

1.O nascimento de Jesus divide as pessoas. Uns temem e outros se alegram. Por quê?
2.De onde esperamos a salvação? Do centro da cidade (Jerusalém), ou da periferia (Belém)?
3.Qual é a estratégia que os poderosos usam para destruir ou anular as esperanças do povo? Já tentaram cooptar sua comunidade?
4.Jesus recebeu presentes importantes. Por que um governante justo pode receber esses presentes? O que fará com eles?

A título de orientação: O que cooptação?

Cooptar é uma das armas mais eficazes usadas pelos políticos. Consiste em fazer de conta que se está do lado dos outros, usando os mesmos argumentos, porém não para a finalidade que os outros querem, mas para reforçar o próprio lado. Em outras palavras, uma espécie de “suborno” sofisticado, anulando e esvaziando qualquer tentativa de oposição.

FELIZ ANO NOVO!



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