 Neste Domingo, somos convidados a nos tornar bem-aventurado. Através das Bem-aventuranças, à medida de nossa entrega e participação, podemos mensurar a nossa felicidade em servir no Reino de Deus. Esta felicidade, porém, só ocorrerá de acordo com a capacidade que temos em depositar nossa confiança em Deus e nas propostas de seu Filho.
DOMINGO 14/02/2010 VI Domingo do Tempo Comum Cor Litúrgica: verde 1ª Leitura: Jeremias 17, 5-8 Salmo: 1 2ª Leitura: 1 Coríntios 15, 12.16-20 Evangelho: Lucas 6, 17.20-26
Evangelho:
Jesus desceu do monte com eles e parou com muitos dos seus seguidores num lugar plano. Uma grande multidão estava ali. Era gente de toda a Judéia, de Jerusalém e das cidades de Tiro e Sidom, que ficam na beira do mar. Jesus olhou para os seus discípulos e disse:
- Felizes são vocês, os pobres, pois o Reino de Deus é de vocês. - Felizes são vocês que agora têm fome, pois vão ter fartura. - Felizes são vocês que agora choram, pois vão rir. - Felizes são vocês quando os odiarem, rejeitarem, insultarem e disserem que vocês são maus por serem seguidores do Filho do Homem. Fiquem felizes e muito alegres quando isso acontecer, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês. Pois os antepassados dessas pessoas fizeram essas mesmas coisas com os profetas. - Mas ai de vocês que agora são ricos, pois já tiveram a sua vida boa. - Ai de vocês que agora têm tudo, pois vão passar fome. - Ai de vocês que agora estão rindo, pois vão chorar e se lamentar. - Ai de vocês quando todos os elogiarem, pois os antepassados dessas pessoas também elogiaram os falsos profetas.
Comentário:
Felizes os pobres, porque deles é o Reino dos Céus.
Enquanto Mateus apresenta a proclamação das bem-aventuranças bem no início do ministério de Jesus, na Galileia, logo após o chamado dos quatro primeiros discípulos, em Lucas esta proclamação é situada após alguns milagres, atritos com os fariseus, o chamado de Mateus e a escolha dos Doze apóstolos.
Em Mateus a proclamação se faz no alto de uma montanha, apenas ao grupo de discípulos, e é dirigida a "eles". Em Lucas ela é feita em um lugar baixo e plano, aos discípulos e a uma grande multidão, sendo dirigida a "vós".
Em Mateus as bem-aventuranças referem-se a disposições morais dos ouvintes, tendo em vista construir relações exemplares nas comunidades. Temos quatro bem-aventuranças que não estão em Lucas (mansidão, misericórdia, pureza de coração e promoção da paz). Estas se relacionam com categorias da tradição profética de Israel. Mateus as introduz em razão de sua comunidade de origem hebreia.
As quatro bem-aventuranças de Lucas exprimem situações objetivas de exclusão: pobreza, fome, lágrimas e perseguições. Elas estão mais próximas das fontes da tradição.
Os pobres são os destinatários das bem-aventuranças. Eles são as vítimas da sociedade exploradora e excludente. São famintos e aflitos. A sua situação de dependência estrutural dos ricos e poderosos faz com que eles vivam na insegurança do dia a dia, passando frequentes necessidades, na angústia. A sua bem-aventurança decorre do encontro com o amor regenerador da vida, em Jesus. E, também, da esperança da transformação de suas vidas, integradas em uma nova sociedade. A pobreza da bem-aventurança é a pobreza assumida em razão da libertação das seduções do dinheiro, da sociedade consumista. Os ricos são os beneficiários de tal tipo de sociedade. Uma das características do Evangelho de Lucas é a denúncia da divisão socioeconômica entre pobreza e riqueza. Assim, às quatro bem-aventuranças dos pobres ele acrescenta os quatro "ais" dirigidos aos ricos.
Viver as bem-aventuranças é ser como a árvore viçosa à beira d'água (primeira leitura), é participar já da vida eterna (ressurreição - segunda leitura) presente em Jesus desde seu nascimento.
Oração Espírito de autenticidade, move-me sempre a assumir a verdadeira atitude de discípulo, que centra sua vida no projeto do Pai, e só por ele será recompensado.
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